MET GALA 23
02.05.23 | Get Inspired By Lifestyle Moda
Acordamos nesta terça-feira com a triste notícia do falecimento de Karl Lagerfeld. Aos 85 anos, o designer trabalhava incansavelmente apresentando ao menos seis coleções anuais para a Chanel e a Fendi, marcas dais quais era diretor criativo. A imaginação do Kaiser parecia não ter limites e mesmo com tanta demanda sobre sua criatividade, sua cabeça parecia ser uma fonte inesgotável de criações. À frente da Chanel Karl promoveu uma verdadeira revolução, trazendo seus ideais modernos sem ferir a herança de peso da label. Sob seu comando, a Chanel se reinventou e se tornou uma das marcas mais valiosas do mundo, ocupando um nível de importância muito mais alto do que qualquer outro nome do circuito. Vamos relembrar a trajetória de Karl na maison em dez dos mais icônicos desfiles desde 1983, quando assumiu o posto de diretor criativo da marca. Uma ressalva se faz necessária: não colocamos aqui nenhum desfile de alta-costura simplesmente porque todas as coleções couture da Chanel são fantásticas e é impossível promover uma seleção. Aqui nós compilamos os desfiles das coleções ready-to-wear, cruise e metiers d’art, que se tornaram verdadeiros acontecimentos ao redor do mundo, com cenografias dignas de produções hollywoodianas, além de possuir conceitos políticos e culturais importantes.
Todos os desfiles da Chanel dos anos 90 merecem ocupar uma posição nesse tributo. A época das supermodelos e de diversos movimentos culturais que viriam revolucionar nossa estética para sempre foi materializada por Karl de maneira sublime. A cena rave e os clubbers, as socialites da Rodeo Drive, a ascensão dos movimentos negros, como o Hip-hop e o graffiti e, claro, o grunge foram alguns dos cenários que ocorriam na época e que foram traduzidos por Karl bem ao estilo Chanel.
O desfile da temporada fall 2010 foi um marco pelo fato de que pela primeira vez a Chanel não usaria pele verdadeira em suas criações. O defile aconteceu em torno de um iceberg gigante colocado no meio da passarela para alertar sobre o aquecimento global. O iceberg de fato foi derretendo durante a apresentação, molhando as exageradas botas de pelo fake que as modelos usavam. A coleção chegou a ser considerada feia pela crítica, mas Karl provou o seu ponto: poderia vender qualquer coisa que criasse. Os números dessa geleira particular são impressionantes: o iceberg tinha 5.300 m3; foram necessários seis dias e 35 escultores para dar forma ao gigante de gelo; o grand palais foi transformado em uma caixa hermética que mantinha a temperatura em torno de 0 graus; 240 toneladas de neve foram usadas para o ambiente.
A coleção Paris-Bombay foi o que pode se chamar de fashion extravaganza, com direito a um banquete suntuoso, enormes lustres de cristais e criações tão luxuosas quanto o cenário. A coleção representa, na visão de Karl, a interpretação de Paris sobre as vestimentas indianas o que resultou em uma mistura de ostentação e refinamento que poucos estilistas conseguiriam fazer acontecer.
A coleção cruise 2019 foi um verdadeiro deleite. Criações, fáceis, possíveis e extremamente sofisticadas que materializavam bem o espírito de uma coleção resort – feita basicamente para as clientes endinheiradas que irão escapar do frio do hemisfério norte em destinos mais quentes. Mas como tudo que ronda o mundo Chanel criado por Karl, simplicidade completa está fora de questão e na passarela foi colocado um enorme navio batizado de La Pausa, o refúgio que Gabrielle Chanel construiu nos anos 30 no litoral francês.
E já que o assunto são as construções gigantes que davam o tom para os desfiles da Chanel, que tal ir além e construir todo um prédio para abrigar uma apresentação? Pois foi isso que a Chanel fez em sua coleção cruise 2015, onde não apenas uma estrutura, mas um verdadeiro centro de luxo foi erguido do zero em Dubai para que quase 90 criações fossem desfiladas. Criações essas com fortes referências do oriente, com calças ao estilo Aladin, túnicas ricamente bordadas e muitos adornos dourados para combinar com a riqueza do local.
A visão de futuro de Karl nunca foi tão longe quanto na apresentação da coleção fall 2017. Um foguete de proporções quase reais foi colocado no meio do Grand Palais e ao final da apresentação descobrimos que a alegoria não só funcionava, como também fez um pequeno lançamento. Na passarela, estampas de astronauta, mantas prateadas e cabelos ao estilo anos 60 confirmavam as influências retrô/futuristas de Karl. Foi nesse desfile, aliás, que o hit das botas de montaria com glitter começou e foi exaustivamente copiado por inúmeras marcas.
Um mercado inteiro, só com produtos Chanel. Sim, você leu certo: mercado. O cenário da coleção fall 2014 foi realmente impressionante já que absolutamente todos os produtos daquelas prateleiras fictícias levavam o selo Chanel, da água ao ketchup. Foi nesse desfile também que fomos presenteados com algumas das bolsas mais divertidas e controversas já vistas na Chanel, como o cesto de mercado e a caixinha de leite.
A moda e o ativismo mal começavam a conversar quando Karl fez uma coleção inspirada pela marcha feminista que tomou Paris em 1968. A rua da manifestação da Chanel foi fielmente recriada em cada detalhe, do asfalto gasto aos vidros das janelas dos apartamentos. As criações demonstravam a força do movimento que estava para ganhar o mundo nos anos seguintes, especialmente porque grande parte delas abraçou a ideia da neutralidade de gênero. Ao final do desfile, modelos icônicas como Cara Delevigne e Gisele Bundchen lideraram a manifestação com direito a palavras de ordem ditas no megafone e cartazes com dizeres sobre a igualdade de gêneros. Mais uma vez, Karl concebeu o futuro de forma certeira!
Cuba mal tinha anunciado os passos que levariam para a flexibilidade política e econômica do País e Karl já havia decidido que sua coleção resort seria apresentada lá. Em um momento para ficar para a história, cuba viu um mar de celebridades aterrissarem na ilha para atenderem a um evento de proporções jamais vistas no local. O desfile foi fiel à atmosfera de férias, com deliciosas criações que remetiam ao lifestyle do povo que o recebeu. O show foi armado em uma larga rua de Havana e o próprio lugar, com suas casas coloridas e seus carros antigos, serviu de cenário para a apresentação. Épico!
Apresentada em outubro do ano passado, a coleção spring foi uma das mais bonitas já feitas por Karl, mas além das roupas e dos acessórios magníficos, a praia idealizada pelo designer foi um verdadeiro show à parte. Com toneladas de areia clara e ondas reais, o desfile se tornou ainda mais especial porque foi uma das suas últimas aparições. Mais uma apresentação que nos faz duvidar se há limites para a criatividade de Karl e sua capacidade de tornar sonhos em realidade.
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Não conseguimos achar as palavras corretas para terminar este post. O que Karl fez se compara ao legado que grandes gênios da história da humanidade deixaram e pessoas assim não morrem. Karl e seu trabalho serão eternos e nós só podemos agradecer de termos tido o privilégio de viver ao mesmo tempo neste plano para que pudéssemos testemunhar sua grandiosidade.
A unica certeza de que temos durante uma semana de moda de alta-costura é que o luxo e a opulência vão surgir nas passarelas, mas desta vez Karl Lagerfeld, diretor criativo da Chanel nos deu uma lição de moral. Para quem esperava uma continuidade do luxusoso Casino ou Aeroporto (temas do ano passado) estava muito enganado! A Chanel recebeu seus convidados, como sempre, no Grand Palais, no entanto com um jardim ao estilo Zen, com flores de lótus em pequenos lagos, passarela feita de ripas de madeira e um discreto gramado, sob um lindo céu azul! O clima era relaxante e apropriado para refletirmos na atual situação em que o planeta está passando, como se tivesse pedindo por mais amor, paz, meditação e consciência mundial!
Com certeza foi um tema que reagiu ao momento presente em que a Europa vive, em especial Paris. A coleção era em sua maioria, composta por tons neutros, claros, tecidos fluidos, matérias-primas delicadas. Macramês de algodão cru, bordados feitos com restos de madeiras, fizeram nos crer que uma das maisons mais luxuosas do mundo aderiu à ideia de sustentabilidade faz tempo e pretende inspirar ainda mais todos seus fãs! Incrível não? Não é a toa que hashtags como #GeniusKarl está rolando pelas redes sociais!
Vejam abaixo os looks e detalhes incríveis que selecionamos para vocês verem, bem de pertinho mais um show do mestre Lagerfeld!
Acima, alguns looks de personalidades de front row!!!
Fotos: Reprodução Vogue.com
O desfile Métiers d’Art de pre-fall da Chanel aconteceu nesta semana, em Roma. Como sempre a marca surpreende os fashionistas, não apenas com a elaboração de suas coleções, mas também com as mensagem que existe implícita no cenário escolhido. Definido pelos críticos como uma coleção onde mistura o neorealismo italiano ao filme “noir” francês, onde a idéia, se resume num sonho, um sonho de Paris.
Tudo foi construído como só Chanel poderia fazer – evento Sensurround com transmissão de de séries de Paris e Roma, numa noite em Cinecittà, a “Hollywood” da Itália! A reconstrução do momento atual de Paris foi feito nos primeiros looks do desfile. O cenário de avenidas e templos é o cenário das séries de TV de Roma. Foi uma “premiére de um filme por Lagerfeld a céu aberto!
“Precisamos continuar sonhando, porque a realidade em Paris é desoladora. E isso não é engraçado.”
A fendi teve sua estréia na semana de moda de Paris com um desfile carregado de looks imponentes e cheios de ricos detalhes. A pele foi a base de tudo! Ela vinha em vestidos longos, casacos e capes, no look todo ao apenas como detalhes. A cartela de cores partiu do preto e finalizou com um rosê super delicado.
Karl Lagerfeld completa 50 anos como diretor criativo da marca, e mais um vez nos mostra que elegância tem que vir com certo poder.
A Chanel sempre faz da sua coleção cruise, um show de encantamento. A cada estação, Karl Lagerfeld mostra um casamento certeiro entre inspiração e passarela. Tudo vira objeto de desejo; modelos, cenários, locação, enfim a marca sempre mostra que está muito antenada, brincando lindamente com o tradicional e a contemporaneidade.
Dessa vez, Seul foi a cidade escolhida para apresentar a coleção. Se baseando nas tradições do oriente, Karl pegou um pouco do design, do estilo de vida da coreana e também do fenômeno cultural K-pop, gênero musical que une dança, música eletrônica, hip hop, rock e R&B, pautado pelo estilo alegre e colorido dos adolescentes. A silhueta era ampla, com muitos bordados, cores e padronagens, mas também apareceu reto e no comprimento mini, fazendo referência aos uniforme escolares. E claro, na primeira fila, modelos e celebridades acompanharam tudo de perto – Gisele Bündchen, Kristen Stewart, Tilda Swinton…
Para tudo ser realista, o estilista precisou entender e aprender a “viver” sua inspiração, mostrando uma passarela diversificada e jovial, mas com a elegância que estamos acostumados. Para a marca, o simples não existe, e é isso que encanta a cada coleção. Vamos lá?!
A elegância de seus conjuntos de tweed, vieram em modelagens atuais, com construção diferenciadas. Acessórios deram um cool nada básico.
O clássico p/b veio acompanhado de estampas, bordados, texturas e novas propostas, com volume, textura, sobreposição e transparência.
A modelagem apareceu fora do corpo, com um tonalidade gelo que fez um efeito incrível com as texturas, que eram exageradas, porém femininas.
As propostas “all black” era recheadas de bordados em flores, que faziam um equilíbrio bacana entre o delicado e o forte, traduzindo a mulher coreana.
Já inspirado pelo universo K-pop. os casacos de tweed apareceram coloridos e super femininos, seja em detalhes bordados ou na própria construção da trama.
A jovialidade da k-pop apareceu na composição das cores e também nas padronagens. As peças eram práticas, mas com um toque charmoso e divertido.
O azul veio pontuados no jeans, em vestidos recortados, jaquetas pesadas e na fluidez de um midi super feminino.
As listras traziam um brilho discreto do paetê, em mangas poderosas, barrados e até nos casacos.
O casaco ganhou a forma mais ampla, com gola arredondada, detalhes vazados. As calça vieram amplas em sua maioria, e agradaram!
Como o próprio estilista definiu, o passado encontrou o futuro, mostrando a costume da colcha de retalhos em produções amplas e femininas.
As rendas mostraram um diferencial na tonalidade – turquesa, que vinha acompanhada de cores e estampas abertas, e metalizada, fazendo um mix com outros tecidos texturizados. Um desfile perfeito como o estilo Chanel deve ser!
Dessa vez, Karl Lagerfel armou um café da manhã todo “chicozinho” como cenário para a coleção da Chanel F/W 2016. Com peças icônicas da marca como o sapato bicolor, o estilista compôs uma passarela elegante como sempre, mas com uma pegada nada tradicional. Os casacos ganharam volume, mostrando um trabalho de matelassê, que deu um efeito incrível. As saias são no joelho e se dividem no corte A e no shape reto. Os texturizados chamaram a atenção, assim como o xadrez estilo cobertor, que ganhou em classe e despojamento. Chanel sendo Chanel!
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