Verão 23 | Dinamismo metálico

08.06.22 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Muito tem se falado no retorno das narrativas estéticas dos anos 2000 e o movimento sobre o qual vamos falar agora é um reflexo muito marcante da época. As malhas fluídas e de efeito metalizado são bem características do período, especialmente em saias e vestidos de comprimento médio, conjuntos esportivos, peças com decote de efeito drapeado e calças de comprimento encurtado – itens que basicamente marcaram o início do Séc. XXI em termos de estilo. As padronagens metálicas aqui se diferenciam pelo dinamismo. São malhas com efeitos espelhado, brilhante e molhado (seja por materiais refletivos, como o lamê e demais tecidos acetinados, pelos fios de lurex ou pelos paetês) que têm a maleabilidade como atributo indispensável para se enquadrar nessa nova proposta de uso dos metalizados. Essa fluidez vem justamente para democratizar e facilitar o uso de materiais brilhantes em contextos menos formais, desmistificando a ideia de que o brilho é desconfortável ou mais apropriado para eventos noturnos. Nos desfiles, podemos ver como o metalizado foi inserido em diferentes conceitos para comprovar sua versatilidade, como no estilo mais sensual visto nas passarelas de Tom Ford e Versace, no romantismo proposto na Dior, na casualidade esportiva de Brunello Cucinelli e Blumarine ou mesmo nas composições mais criativas sugeridas por Isabel Marant e Brandon Maxwell.

 

5 movimentos de moda das pré-coleções

19.05.22 | Moda Tendências


 

As coleções intermediárias, como Resort, Cruise e pre-fall são aquelas mais comerciais, que ficam por mais tempo nas lojas e que também nos trazem alguns movimentos que podem anteceder o que veremos nas passarelas durante as temporadas principais. Além das coleções resort que estão sendo apresentadas agora e são uma prévia da temporada spring 23, tivemos algumas marcas que apresentaram recentemente suas criações para o pre-fall, apesar dos desfiles fall 22 terem ocorrido no começo do ano. Aqui montamos um resumo dos principais movimentos que detectamos nestas pré-coleções que, por serem menos conceituais, tendem a inspirar muito mais nossas escolhas visuais.

 

As sandálias dramáticas da próxima temporada

16.05.22 | Moda Tendências


 

No que depender dos desfiles da temporada spring 22, o look do verão será elevado a altitudes extremas e que desafiam o nosso equilíbrio. Isso porque os calçados de solado grosso e demasiadamente altos apareceram em diversas coleções e em versões que atendem a todos os gostos, mas o que essas peças têm em comum é o drama. Alturas desse porte combinadas com essa sola blocada são características marcantes em um acessório, que acaba se tornando o ponto focal da produção. Confira cinco interpretações desta tendência que observamos nos desfiles da temporada spring 22:

 

Verão 2023 – Liberdade criativa com foco no entusiasmo

12.05.22 | Moda moda pra pensar Tendências


 

Um movimento que vem ganhando força para o próximo verão é aquele que chamamos de expressão singular. Confirmado pelos desfiles da temporada spring 22, essa estética surgiu nas redes sociais, em especial no TikTok, onde diversos criadores de conteúdo mostram de maneira muito orgânica como se vestem para as mais variadas ocasiões sempre com foco na inventividade subjetiva repleta de elementos despojados e que formam um resultado final inusitado, divertido e que faz sentido sob o ponto de vista íntimo. É a liberdade criativa com foco no entusiasmo, que também vimos se confirmar nas mais recentes imagens de street style dos desfiles da temporada fall 22. Seja através de cores vibrantes, da mistura de peças que carregam valor afetivo, de ressignificar o tradicional ou de buscar a diferenciação pelos detalhes este movimento diz muito sobre a leveza de não se prender a códigos visuais e “regras de estilo” que não têm mais sentido. No lugar do equilíbrio, da neutralidade e da atenção, entra em jogo a possibilidade de mostrar demais, de usar demais, de misturar o que bem entendemos e, por consequência, abraçar nossas vontades mais peculiares no que diz respeito ao nosso estilo e modificar nossa relação com o ato de vestir. Misturas, cores e possibilidades ampliadas nos lembra muito do que ocorria na moda no começo dos anos 2000 que, não por acaso, é a década do momento. Classificamos este movimento como um dos pilares estéticos para o próximo verão mas a verdade é que esse contexto de exploração visual sem limitações e tendo a diversão como norte, veio para ficar.

 

Os anos 20 na moda e sua relação com o presente

20.04.22 | Moda moda pra pensar Tendências


 

Estamos percebendo um movimento crescente na moda, talvez com maior evidência desde a última temporada de alta-costura e confirmado pelas referências de diversos nomes que se apresentaram no circuito fall 2022. O retorno da estética da década de 20 se caracteriza por elementos que todos já conhecem: plumas, cintura rebaixada, saias curtas, vestidos ricamente bordados, alfaiataria de inspiração masculina, olhos marcados por cores profundas etc. Mas essa narrativa vai muito além da roupa, assim como quase tudo que acontece na moda.

 

 

Se analisarmos o cenário da sociedade ocidental na década de 20, em especial nas grandes cidades, como Paris, Berlim, Londres, Rio de Janeiro e São Paulo, poderemos notar diversas semelhanças com o que estamos vivendo agora. Os anos 20, ou Os Loucos Anos 20 como muitos preferem chamar, foi um período de grande efervescência criativa, com o surgimento de importantes movimentos de vanguarda artística, ascensão do teatro e sobretudo do cinema, vida noturna regada a jazz e bebidas alcoólicas (a despeito da Lei Seca), forte influência literária e demais dinâmicas culturais, além da emancipação feminina sob diversos aspectos. Mulheres conhecidas como modernistas que vinham da elite intelectual europeia e dos filmes hollywoodianos influenciaram fortemente o comportamento feminino na época. Elas ganhavam mais espaço na sociedade através do voto e da entrada no mercado de trabalho, começaram a frequentar festas e bares, obtiveram maior poder de escolha e desfrutaram da liberdade sexual. Na moda, o corpo feminino também deixou de sofrer as limitações impostas pelos espartilhos e infinitas camadas de peças vindas do estilo do começo do Séc. XX. As barras encurtaram – assim como os cabelos – a modéstia deu lugar a bordados e pedrarias ostentosos, o armário masculino passou a ser uma possibilidade real de vestimenta e a dramaticidade tirada da mente fértil dos vanguardistas serviu de base para o surgimento de figuras icônicas também por sua imagem, como a escritora Nancy Cunard, as dançarinas Anita Berber e Valeska Gert, a fotógrafa Claude Cahun dentre tantas outras que desafiavam os padrões conservadores do início do século e influenciavam ativamente as mulheres mais progressistas da época.

 


 

 

Essa mudança significativa no cenário social e cultural da década de 20 se deu em função especialmente do renascimento democrático e econômico após a erradicação da gripe espanhola que assolou o mundo por pouco mais de dois anos com uma estimativa de mortes na casa dos 50 milhões e o fim da Primeira Guerra Mundial. Com uma sociedade mais pacífica e o poder aquisitivo prosperando, as pessoas se voltaram para o lazer e para as artes, sendo este um dos períodos mais ricos e importantes em termos de contribuição cultural para a humanidade. Alguma semelhança com o hoje? Após um longo período de pandemia com o consequente isolamento social a vida noturna, movimentos criativos e as despesas nomeadas como “consumo de vingança” em razão do tempo que permanecemos confinados se consagraram como uma dinâmica contemporânea de respostas aos desafios impostos pela COVID-19. As experiências sociais que foram possíveis anos 20 devido ao pós-guerra e ao pós-pandemia e também pela modernização e democratização dos meios de interação humana (carros, rádio, cinema) e que culminaram com o surgimento e a expansão de novas formas de expressão (tanto no campo artístico, como no pessoal, sobretudo em se tratando das mulheres), têm grande potencial de se repetirem devido às paridades com as circunstâncias atuais. Isso, inclusive, foi objeto de pesquisa do professor da Universidade de Yale Nicholas Christakis, que compara o panorama dos dois períodos e afirma que há grande possibilidade de se reviver os loucos anos 20 a partir de 2024. Diz o professor que “em períodos de pandemia, as pessoas tipicamente se voltam mais para a religião, poupam dinheiro, são tomadas pela aversão ao risco, têm menos interações sociais e ficam mais em casa. Mas na pós-pandemia, tudo isso ficará para trás, como aconteceu com os loucos anos 20 do século passado. As pessoas inexoravelmente vão buscar mais interação social. Vão a casas noturnas, restaurantes, manifestações políticas, eventos esportivos. A religiosidade vai diminuir, haverá uma tolerância maior ao risco e as pessoas gastarão o que não puderam gastar. Depois da pandemia, pode vir uma época de libertinagem sexual e gastança desenfreada. Se você olhar para o que aconteceu nos últimos 2 mil anos, quando as pandemias acabam, há uma festa. É provável que vejamos algo parecido no século 21” (fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55670066).

 


 

A moda, obviamente, acompanha essa revisitação histórica, já que ela foi um dos principais pilares para que essas mudanças na sociedade da época ocorressem. A estética dos anos loucos aparece adaptada ao nosso tempo, mas ainda com forte inspiração no período.

OUT/INV 2022 – 5 itens que definem a estética da estação

08.04.22 | Moda Tendências


 

Apesar de não parecer entramos recentemente no outono e este é o momento que começamos a falar dos movimentos da temporada primavera/verão 22-23. Mas antes de pensarmos na moda lá da frente, vale a pena sintetizar as peças-chave desta temporada que se inicia. Lembrando que quando tratamos das tendências, pelo menos aqui no escritório, nosso intuito é meramente informativo – conteúdo de moda para quem se interessa por moda, simples assim. Quando abordamos os movimentos da moda, muito mais do que incentivar o consumo desenfreado, queremos que você tenha acesso a um conteúdo de qualidade e leve, sem qualquer tipo de imposição do “tem-que-ter” ou as terríveis e ditatoriais matérias sobre o que está “ultrapassado”. A verdade é que nenhuma dessas peças é um movimento muito inovador. Sendo a moda cíclica, certamente algum dos itens citados aqui você já deve ter no armário ou são fáceis de encontrar em meios alternativos de consumo, como feiras e boutiques vintage. Além daquelas peças que já são tradicionais do inverno, as coleções revisitaram alguns itens que andavam esquecidos e os realocaram em composições e configurações mais atualizadas. Veja nossas apostas das principais peças que vão compor suas produções feitas para as temperaturas mais frias.

 

PFW Fall 22 | Os principais contextos das apresentações parisienses

16.03.22 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

O circuito de Paris é sempre um dos mais aguardados das temporadas de moda, seja pela tradição, seja pelas apresentações de alguns dos nomes mais importantes da indústria. O que notamos, no entanto, foi uma ausência de inovação, salvo por algumas marcas que já se destacam pela experimentação. Talvez as nossas expectativas tenham sido um pouco elevadas com esses primeiros desfiles presenciais após o período de confinamento, mas a impressão geral que as apresentações nos causaram foi de prudência – voltar devagar, não mostrar todas as cartas de uma vez. Afinal, é esperado e até recomendado que a moda pise um pouco no freio para absorver todas as mudanças que os últimos acontecimentos globais causaram nos consumidores e talvez seja essa a razão do nosso sentimento de comedimento criativo. O que se viu, além das confirmações de alguns dos movimentos que observamos nos circuitos anteriores, foi principalmente o resgate de estéticas e narrativas vistas há poucas temporadas, como a bota over the knee, os maxi suéteres e a revisitação do estilo gótico. Composições que antes eram descritas como sendo de inspiração no universo da alfaiataria masculina ganham um destaque importante nas passarelas desta temporada e geram um debate acerca da roupa de gênero fluído: ainda é pertinente que digamos que esse visual é de influência masculina? Por que não dizer simplesmente que essa linguagem faz parte de um repertório de vestuário independente de gênero? Afinal, homens vestem saias e mulheres vestem calças (apenas para citar algumas peças que são rotuladas como masculinas e femininas) e dizer que um ou outro está “vestida de homem” ou “vestido de mulher” nos parece um tanto quanto ultrapassado. Por isso escolhemos dar a esse movimento o nome de “power dressing”, inspirado pela tribo dos yuppies dos anos 80 (tanto faz se homens ou mulheres) que carregavam uma imagem corporativa marcante pelas características do período. No âmbito dos movimentos que surgem de pautas contemporâneas, temos uma evolução do contexto de proteção que despontou em função da pandemia – antes caracterizado pelas roupas que escondiam e protegiam a silhueta do toque, hoje inspirado pelos esportes radicais – e também a revitalização de algumas peças do armário que ganham novo fôlego através de interpretações alternativas para sua função original, indicando uma preocupação com questões sustentáveis.

 

NYFW fall 22 | os contextos da semana de moda nova-iorquina

18.02.22 | Semanas de Moda Tendências


 

Tivemos o início de mais uma temporada de desfiles essa semana e já preparamos nossas análises sobre as apresentações de NY, que abre o circuito. Contextos históricos, manifestações de estilo mais elaboradas e movimentos que celebram a força do feminino parecem ter sido o guia principal das coleções, que trazem um trabalho envolvente de opostos e narrativas para todos os gostos. Desde o protagonismo da lingerie até o visual infantilizado, passando pelas revisitações históricas do papel da mulher em lugares alternativos e chegando a propostas estéticas contemporâneas e aprimoradas das construções de imagem associadas às baixas temperaturas. Certamente são coleções que trazem inovação, mas que também buscam no passado enredos que se inserem nas demandas do presente.

 

COPENHAGEN fashion week – os principais movimentos da semana de moda dinamarquesa

11.02.22 | Semanas de Moda Tendências


 

A pauta da sustentabilidade certamente foi o maior movimento da Copenhagen Fashion Week, mas obviamente outras tendências foram captadas por nós. As semanas de moda escandinavas, de uma maneira geral, promovem narrativas frescas, seja pelo ineditismo, seja pela releitura alternativa e arrojada de movimentos que já apareceram em outras fashion weeks. Por ser um circuito não tão badalado quanto o de Paris, por exemplo, existe uma fidelidade potente com a já familiar estética nórdica, mas sempre através de uma configuração que se renova a cada temporada.