RESORT 2022 trend report pt. II – back to school

17.06.21 | Moda Tendências


 

Quando pensamos em uniformes escolares ou mesmo nas roupas que geralmente são associadas com este ambiente logo nos lembramos dos brasões, das saias de prega, das bermudas e calças de alfaiataria de cores clássicas, dos cardigãs e coletes típicos dos colégios mais tradicionais, mas também podemos fazer essa associação com conjuntos esportivos, jaquetas bomber, bordados com letras e números de estética escolar, peças utilitárias etc. Essa narrativa visual característica dos colégios foi explorada por diversas marcas nesta temporada resort e algumas, como no caso da italiana Philosophy, deram continuidade a este tema que já vinha sendo utilizado na temporada anterior.

 

 

 

E assim como o romantismo que falamos na parte I tem tudo a ver com o momento atual e com o que se espera do futuro em termos estéticos, o movimento que propõe esse visual de perfume escolar também sugere um resgate da normalidade. É a vida voltando ao seu curso rotineiro após tanto tempo sob o isolamento e as restrições sociais. A ideia de retorno às aulas vai muito além do seu conceito original e aqui tem muito mais a ver com a retomada da interação humana, do convívio social, da troca de experiências e do crescimento individual quando existe relacionamento com outras pessoas.

 

 

RESORT 2022 trend report pt.I – romance desmedido

15.06.21 | Moda Tendências


 

Neste mês diversas marcas começaram a apresentar suas coleções resort, que são aquelas que ocorrem entre a temporada fall e spring e que ficam por mais tempos nas lojas. Nós já começamos a analisar essas coleções e nossas observações vão ser divididas em quatro partes que serão publicadas aqui no blog. Para a primeira parte, notamos um movimento importante de resgate de uma feminilidade extrema. Mas é extrema mesmo! Todas as características de um estilo pessoal que chamamos de feminino são encontradas aqui, mas de uma forma muito mais superlativa, exagerada e quase caricata. Essa revisitação de uma delicadeza exagerada nos fez refletir sobre a carência de afeto, de toque e de cuidado mútuo que estamos vivendo atualmente. É certo que a vida aos poucos vai voltando ao normal e que daqui pra frente, falando em termos de moda, os movimentos serão voltados para as demandas de um recomeço. Portanto, é normal que após mais de um ano isolados, busquemos o contato, o afeto e o cuidado com familiares, amigos, amores…

 

 

 

 

Quando estudamos a teoria da consultoria de imagem e entramos no capítulo dos estilos pessoais, a parte do que chamamos de “estilo feminino” tem exatamente essa narrativa – delicadeza, afetuosidade, alegria, ingenuidade, segurança, familiaridade etc. Então quando observamos essa atmosfera sendo aplicada de maneira tão literal nas propostas de diversas marcas (note que até alguns ensaios promovem imagens que podem ser associadas a sentimentos melancólicos e nostálgicos ligados ao romance), a associação com a necessidade de delicadeza (e de tantas outras atitudes que essa estética sugere) daqui pra frente é inevitável.

 

 

 

Os fashion films que são verdadeiras obras de arte

08.06.21 | Vídeos


 

Durante as temporadas de moda das coleções spring 2021 e fall 2021/22 o mundo como conhecíamos havia mudado devido ao cenário pandêmico com o consequente isolamento social. Frente a esta nova realidade, muitas marcas optaram por mostrar suas coleções através de fashion films que são verdadeiras obras de arte, muitas vezes dirigidos por profissionais consagrados do ramo. A possibilidade de apresentar uma coleção dessa maneira pode ser diferente e nos fazer sentir falta de um desfile presencial, mas a verdade é que as marcas souberam como tirar proveito deste momento e entregaram conteúdos efetivamente criativos e que mostram a atmosfera de inspirações e referências dos estilista talvez de forma muito mais eficaz e fiel do que um desfile faria. É o caso, por exemplo, da coleção spring 2021 da Salvatore Ferragamo, cujas referências do estilista Paul Andrew no diretor Alfred Hitchcock inspiraram um curta cheio de mistérios, sofisticação enigmática e de fotografia incrível dirigido por Luca Guadagnino. Ou na apresentação da coleção Aria da Gucci, com um cenário repleto de luzes, performances marcantes dos modelos e trilha sonora arrebatadora. Temos ainda o espetáculo da Burberry, que na temporada spring 2021 promoveu uma espécie de instalação de arte contemporânea para mostrar sua coleção. São vários os exemplos que manifestam o que há de mais criativo e mirabolante nas cabeças destes competentes times por trás dos grandes nomes da moda. Selecionamos aqui alguns dos mais belos fashion films que valem a pena ser vistos.

 

Salvatore Ferragamo – spring 2021 RTW

 

Gucci – fall 2021 RTW

 

Burberry – spring 2021 RTW

 

Celine – Fall 2021 RTW

 

Prada – Fall 2021 RTW

 

Saint Laurent – Fall 2021 RTW

 

Mugler – spring 2021 RTW

 

Chloé – spring 2021 RTW

 

Chanel – Fall 2021 RTW

 

Schiaparelli – Fall 2021 RTW

 

Miu Miu – Fall 2021 RTW

 

Louis Vuitton – Fall 2021 Menswear

Análise de estilo | JESSICA ALBA

01.06.21 | Get Inspired By Street Style Styling


 

Em um primeiro momento o estilo da atriz Jessica Alba pode parecer bem casual, mas ao olharmos mais atentamente para as suas imagens que foram capturadas durante a pandemia podemos perceber que Alba se diferencia pelos detalhes e sua casualidade é muito mais contemporânea do que simplesmente básica. A começar pela priorização do conforto. Materiais que permitem maior liberdade de movimentos como os moletons, formas amplificadas e os pés no chão são algumas das características associadas ao conforto que a atriz aplica em sua imagem, mas é justamente a maneira como ela junta tais características que faz o resultado final se destacar. A atriz lança mão de produções monocromáticas, que mesmo em cores tradicionais acabam por chamar mais a atenção, prioriza dimensões maiores em suas peças e brinca com proporções de forma mais inusitada – nada é muito ajustado nem demasiadamente oversized, mas os volumes são suficientemente notáveis para realçar uma informação de moda. É aquela comunicação de imagem que parece justamente não querer comunicar nada, mas ao final das contas entrega uma presença marcante de senso estético e de ambientação.

 

FALL 21 RTW | A coleção da LACOSTE e o que esperamos do visual do FUTURO

27.05.21 | Lifestyle Moda


 

No fim deste mês a Lacoste apresentou sua coleção fall 2021 e deu continuidade à estética esportiva ousada que Louise Trotter, sua diretora criativa desde 2019, vem empregando para ressignificar a rica herança da marca. O visual utilitário comumente associado à Lacoste foi elevado a outro patamar com a chegada de Trotter, que emprega muito de sua própria imagem pessoal para definir essa nova atmosfera da marca, muito mais condizente com os dias atuais. Mas muito além da imagem mais arrojada, a Lacoste vem mostrando criações consistentes e coesas, fornecendo um verdadeiro storytelling aos consumidores e amantes da moda e se adequando ao que esperamos que seja o visual do futuro. Para esta temporada, Trotter refletiu sobre como podemos encaixar uma vida ativa com os compromissos do dia a dia, como trabalho, lazer, estudos, vida doméstica etc. Muito mais do que performance, no entanto, a coleção da Lacoste oferece acolhimento através das formas amplas e dos comprimentos abundantes que sugerem a proteção do corpo através do ato de escondê-lo. Além disso, vem a questão do conforto associado ao desejo do visual montado, com informação, notabilidade, riqueza de detalhes e beleza. É a diferenciação do que nos é seguro e familiar através da descontração de algumas experimentações. Um trench coat opulente ali, uma sobreposição inusitada aqui, um chinelo combinado com meias acolá. É através do traquejo e de um olhar alternativo sobre o armário que se cria o “novo conforto”. O visual proposto por Trotter ainda se diferencia por ser totalmente agênero e sustentável, já que muitas das peças foram produzidas a partir de outros itens e materiais de coleções passadas, o que pesa ainda mais para tornar o ato de se vestir muito mais sobre experiência do que simplesmente uma composição visual.

 

Análise de estilo | Cate Blanchett

20.05.21 | Get Inspired By Lifestyle Styling


 

Quando se trata de estilo, a atriz Cate Blanchett geralmente costuma ser lembrada pelas suas produções mostradas nos red carpets dos maiores eventos do cinema. Mas na vida fora dos holofotes, Blanchett também faz bonito com a sua imagem. Com uma mistura contemporânea dos universos masculino e feminino, Cate já coloca em xeque as questões retrógradas sobre o visual dividido por gênero há bastante tempo. Adepta dos ternos bem cortados, dos macacões utilitários e do conforto nos pés, a atriz sempre mostrou que elegância nada tem a ver com ostentação, muito pelo contrário. E é justamente esse tipo de elegância sem esforço que a atriz propaga que faz com que seu estilo pessoal seja uma inspiração cirúrgica não só para a vida, mas especialmente para o presente. Com os recentes acontecimentos e com a vida aos poucos voltando ao normal, a estética para sair de casa, segundo os movimentos que analisamos, se volta para a manutenção do conforto e da sensação de abrigo que certas roupas nos proporcionam, com a sofisticação, mesmo que simples, que alguns compromissos fora do âmbito do lar exigem. E a atriz consegue materializar esse mood.

 

 

 

Basta olharmos para as produções usadas durante esse período pandêmico para conseguirmos entender o que esse movimento quer dizer. O conforto que falamos aqui se transfigura na imagem da atriz através dos sapatos, dos saltos mais grossos, da facilidade da peça única ou da base mais simples que possibilita a ousadia nas peças de complementação e nos acessórios, na liberdade de repetição dos itens que para alguns ainda parece um crime, nas modelagens menos ajustadas, nos cabelos com efeito natural etc. Conforto aqui vai muito além do moletom, perceba. A elegância sem esforço fica a cargo do conjunto da obra, do resultado final. Você olha para a imagem e absorve a elegância. Claro que alguns detalhes contam para que esse efeito seja percebido, como os blazers que fecham os looks mais básicos, a alfaiataria ampla, as cores clássicas, a cintura levemente marcada, o brilho discreto em algum ponto específico da produção. Cate consegue entregar uma imagem sofisticada sem parecer distante e isso é fundamental nas relações entre pessoas, sobretudo nos dias atuais onde nunca fomos tão distantes uns dos outros.

 

SPRING/SUMMER 2022 | Contato de 3º grau

13.05.21 | Moda


 

Quando uma situação grave surge e causa impactos a nível mundial – como conflitos, mudanças climáticas extremas, insegurança econômica ou uma pandemia – a moda capta o momento e se adapta de modo que seja relevante e sensível ao presente, mas ainda assim consiga projetar o futuro. Futuro, aliás, é um tema recorrente na moda e já foi interpretado das mais diversas maneiras, mas sempre com uma narrativa que se conecta com o presente. Temos como o exemplo o futuro retratado nos anos 60, que refletia a tecnologia e a corrida espacial através de formas vanguarditas e texturas metalizadas dentre outras características. Já no início do Séc. XXI a profusão de roupas em prata, os strass aplicados à exaustão, os óculos de lentes grandes e coloridas e a atmosfera esportiva e futurista de inúmeros vídeos e eventos da MTV representavam a euforia tecnológica que vinha com a virada do milênio (e também o receio da pane generalizada que os computadores supostamente sofreriam com a chegada do ano 00, o tal do bug do milênio). Em 2021, com um cenário pandêmico grave, a ideia de futurismo vem através do que imaginamos ser uma estética alienígena e isso pode estar relacionado com o fato de muitas vezes buscarmos respostas para situações mais difíceis em assuntos que acreditamos estarem além da nossa compreensão mundana e material, como a astrologia, a religião, a magia e na concepção de vidas fora do nosso planeta. Tudo o que sabemos sobre o tema, outrossim, está ligado a evolução. Tecnologia avançada, estruturas sociais elaboradas, melhorias inimagináveis em diversos campos e desenvolvimento pessoal florescido são apenas algumas das características do que idealizamos a respeito de uma manifestação de vida extraterrestre.

 

 

A representação imagética de um indivíduo infinitamente mais evoluído do que nós, meros terráqueos, pode ser vista na temporada de apresentações das coleções spring 2021 realizadas no final do ano passado. O movimento, portanto, sugere esperança em relação ao futuro, seja através de uma vida melhorada pela tecnologia em diversos aspetos ou mesmo por comportamentos e atitudes evoluídos em razão de tudo que passamos. Outra ideia que o tema alienígena levanta é um pouco menos otimista, mas que também pode se encaixar no nosso atual período: o da extinção em massa. Claro que isso não deve ser interpretado de maneira literal, mas como uma metáfora para nosso renascimento, seja como sociedade ou a nível pessoal. Temáticas apocalípticas e de sobrevivência vêm sendo exploradas pela moda nos últimos tempos já que as circunstâncias econômicas, climáticas, sanitárias e diplomáticas se mostraram um campo fértil para o afloramento de representações estéticas que se harmonizam com um clima global mais inseguro. Aqui, no entanto, o contexto do movimento se dirige muito mais para uma nova maneira de pensarmos e agirmos quando tudo o que estamos passando ficar na história – é a representação da nova humanidade, renascida e renovada através de uma grave crise.

 

 

SPRING/SUMMER 2022 | Bordado Inglês

07.05.21 | Moda Tendências


 

Apesar do nome, o bordado inglês não vem da Inglaterra. Existem relatos que a técnica surgiu na Ilha da Madeira, em Portugal, ou na República Tcheca no Séc. XVI, mas a verdade é que o bordado caracterizado pelas padronagens feitas a partir cortes arredondados e depois costurados em tecidos, se popularizou na Inglaterra no Séc. XIX durante a era vitoriana, especialmente em roupas íntimas e infantis. Com o passar do tempo, o bordado inglês foi ganhando mais abrangência, principalmente por conta da modernização de sua produção que passou a ser feita por máquinas a partir de 1870. Já nos anos 50, a técnica novamente teve seu auge sobretudo depois que a atriz Brigitte Bardot usou um vestido com esses detalhes em seu segundo casamento, em 1959. Desde então, o bordado inglês deixou de ser utilizado apenas em detalhes, roupas íntimas ou enxovais e passou a fazer parte de peças completas o que foi muito bem vindo para o gosto das latino-americanas por conta do nosso clima mais quente. Geralmente associado a um estilo mais feminino e delicado, nessa temporada de apresentações das coleções primavera/verão 2021/22 o bordado foi aplicado em peças de cunho urbano, como camisas, calças e macacões e também ganhou espaçamentos maiores, tornando os orifícios mais visíveis e dramáticos. O movimento de se voltar para técnicas tradicionais de manufatura é algo que acontece na moda há algum tempo, mas que parece ter ganhado força com o advento da pandemia principalmente porque temos o desejo, por vezes inconsciente, de olharmos para algo que nos seja familiar em tempos de incertezas. O processo artesanal causa essa sensação de bem-estar e familiaridade sobretudo por nos remeter à ideia de pequenos trabalhadores, produção familiar, campo, natureza, simplicidade, acolhimento, calma etc. e nós já falamos por aqui sobre como o movimento de reconexão do homem com a natureza vem ganhando força em razão dos tempos atuais (para ver clique aqui). Veja como o bordado inglês será aplicado no próximo verão de acordo com as coleções apresentadas no final do ano passado e se inspire para achar suas peças em locais alternativos, pequenos produtores etc. o que tona a história das suas vestes muito mais rica.

 

 

OSCAR 2021 | nossos looks preferidos do red carpet

28.04.21 | Lifestyle Moda


 

Neste domingo aconteceu a cerimônia de entrega do Oscar e como já é de costume, nós aqui do escritório analisamos todos os looks e cada detalhe para podermos eleger nossos preferidos e contar para vocês. Ao contrário dos outros anos, o evento teve uma atmosfera mais intimista e com bem menos convidados, o que não impediu, no entanto, que o glamour do tapete vermelho fosse prejudicado. Veja quais foram nossas produções favoritas desta edição.

 

 

Impressiona o quanto a atriz de 62 anos é radiante e esse Alberta Ferretti teatral só evidenciou isso. A atriz já atingiu o posto de lenda do cinema então a peça faz jus ao seu legado. Cor intensa, mangas dramáticas, fenda marcante e o mix de texturas são características de um vestido que pede por alguém ainda mais exuberante, caso contrário só a peça apareceria. Nesse caso, vestido e indivíduo se completam e se complementam com afinação.

 

 

Nós amamos a jovialidade trazida pelo top da escolha de Carey Mulligan. A atriz tem um perfil delicado e o detalhe faz com que a mistura de proporções entre a saia e a parte de cima equilibre essa característica, caso contrário o vestido poderia engolir a atriz. Elegante e ao mesmo tempo moderno.

 

 

Essa é daquelas peças que você precisa olhar e analisar várias vezes, já que em cada momento um novo detalhe é percebido. O vestido é interessante e encaixa bem no estilo diferenciado da cantora. Possui texturas distintas, um design de referência quase religiosa, que é quebrado pelos punhos de mood fetichista e os detalhes no colo – transparência na gola, broche dramático e franjas metálicas. Mas o que chama mais atenção é a clutch que reproduz um coração humano e que saiu diretamente da última coleção apresentada pela Gucci há pouco mais de 10 dias.

 

 

Chloé Zhao fez história nesta premiação como a segunda mulher a ganhar a estatueta de melhor direção e a primeira de origem asiática. Com apenas três filmes em seu currículo como diretora, roteirista e produtora, Zhao saiu como uma das grandes ganhadoras da noite com Nomadland e mesmo com tanto furor sobre seu trabalho, a simplicidade da cineasta parece desafiar todos os códigos antigos e, porque não dizer, machistas, do que se espera da figura de uma mulher na indústria cinematográfica. Isso não pode ser interpretado como desrespeito e tampouco como uma crítica a quem prefere outro tipo de glamour. Na verdade, Zhao abre possibilidades para que uma imagem mais plural e diversificada surja para outras tantas figuras femininas deste universo, sem que isto seja motivo para piadas, críticas ou cancelamentos.

 

 

A cantora italiana concorria ao prêmio de melhor canção pela sua interpretação da música “lo sí”. Pausini perdeu a estatueta mas certamente ganhou como uma das mais bem vestidas da noite com este vestido Valentino de design atemporal e elegância clássica.

 

 

Nós já falamos diversas vezes que amamos um terno em eventos muito formais, como é o caso do Oscar. Ainda mais se for uma composição tão diferenciada quanto esta vestida pela cantora Tiara Thomas. Tem transparência, tem decotão, tem pluma e ombros acentuados, mas também tem caimento bonito, qualidade inquestionável e beleza a perder de vista. Tudo em perfeita harmonia.

 

 

Viola Davis está sempre presente nas nossas listas porque nunca erra. A atriz, além de ficar deslumbrante de branco, ainda escolheu um vestido muito especial Alexander McQueen feito exclusivamente para ela. Os recortes e a estrutura da parte superior da peça contrastam e se equilibram com a fluidez da saia mas ao mesmo tempo se encontram nas linhas orgânicas. Interessante e incomum, a peça é daquelas que pode ser analisada com uma lupa e mesmo assim nenhum defeito será encontrado. Essa é a excelência produzida por Mcqueen e brilhantemente levada adiante por Sarah Burton, sua sucessora.

 

 

O Valentino solar da atriz roubou a atenção no Oscar, especialmente porque foi combinado com um colar Bulgari de 183 quilates avaliado em mais de 6 milhões de dólares. Joias muito marcantes costumam pesar no visual, o que não aconteceu com a atriz justamente pela jovialidade do vestido. O tom brilhante, os recortes, a fluidez e o cabelo naturalmente solto fizeram com que o resultado final ficasse leve e divertido. Mais um look a favor de uma das maiores promessas da TV e do cinema, que também tem se mostrado um verdadeiro ícone de estilo.

 

 

Esta, sem dúvidas, foi a nossa preferida da noite. Regina King surgiu esplêndida neste Louis Vuitton arquitetônico e feito sob medida. Regina estreou este ano como diretora no longa One Night in Miami e como resultado de sua bem-sucedida empreitada, ganhou três indicações nesta premiação. Ao longo do ano, a atriz e diretora tem mostrado uma imagem bem trabalhada e coesa, com peças diferenciadas e marcadas por estruturas contemporâneas. Mas, como sabemos, Oscar é Oscar e para o final da temporada de premiações a atriz solicitou um vestido a altura. Entra em cena o brilhante trabalho de Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, que tem construído um legado em seus quase oito anos a frente da marca. Com mais de 62.000 cristais, metros e metros de cetim e mais de 140 horas de produção, a peça teve o intuito de causar impacto na audiência e de trazer um pouco de fantasia para os momentos tão sombrios que estamos vivendo. Objetivo alcançado com sucesso!

 

 

Os homens também não decepcionaram e se distanciaram, em sua maioria, do “visual George Clooney” que toma conta das produções masculinas em tempos de premiação. Desta vez os homens também adicionaram boas doses de estilo ao tapete vermelho e dois convidados merecem uma menção honrosa pelos seus trajes. Lakeith Stanfield de Saint Laurent evocou uma atmosfera retrô setentista que tem tudo a ver com o filme Judas e o Messias Negro, no qual é um dos protagonistas, cuja história se passa no final dos anos 60. Já Colman Domingo quebrou todos os códigos antiquados do dress code masculino ao surgir com esse terno Versace de um tom de pink potente e aplicações metalizadas no blazer para finalizar.

 

A morte da calça skinny (?)

20.04.21 | Moda Tendências


 

Já adiantamos a resposta: não é bem assim. A verdade é que depois de anos de reinado dos jeans mais justos em nossos armários, a preferência pela calça skinny caiu consideravelmente nos últimos tempos e podemos “culpar” a Geração Z por isso. Já é sabido que uma das características desse grupo é o exercício do novo olhar sobre o que já existe e dar preferência para uma moda que tenha propósito, narrativa, história e experiência, além, claro, das novas formas de consumo que visam hábitos menos impactantes no meio ambiente. As calças jeans que estão em evidência no momento, portanto, atendem às demandas dessa geração principalmente pelo visual – modelagens amplas, cinturas baixas a intermediárias e lavagens claras lembram dos jeans que eram usados nos anos 80 e 90 especialmente dentro do âmbito cultural e musical de diversos grupos urbanos – e pela possibilidade de se encontrar peças assim em meios de consumo alternativos, como brechós, feiras etc., o que corrobora com a pauta sustentável levantada pelos Z’s. Em que pese todos os motivos pelos quais as wide leg jeans estão em evidência, acreditamos que artigos que ditam a morte de uma calça skinny (ou de qualquer outro item) são um tanto quanto radicais. Existem peças que já se tornaram clássicos do armário e independem de tendências e nós colocamos as skinny nessa categoria, assim como blazers, camisetas, camisa branca etc. E mesmo que não fosse esse o caso da skinny, no final das contas as pessoas usam o que quiserem e quando quiserem. As calças justas têm seu valor visual, são versáteis, vestem uma infinidade de silhuetas, otimizam o armário e compõem edições interessantes de looks, tal como ocorre com as wide legs do momento. Claro que se informação de moda for algo importante na composição do seu visual, você vai dar um tempo para as suas skinny, mas “morte” já é algo mais ditatorial e nós repudiamos qualquer forma de limitação das suas expressões de estilo. Use skinny, use baggy, use o que quiser!