a alfaiataria é o novo jeans + camiseta

10.08.22 | Get Inspired By Moda Street Style


 

Analisando as mais recentes imagens de street style de uma semana de moda, no caso, da temporada de alta-costura, percebemos que os conjuntos de alfaiataria de modelagem ampla se equivalem, hoje, ao combo calça jeans e camiseta branca de outrora quando apontamos para uma produção básica. Num mar de looks iguais e irreais patrocinados pelas marcas que se apresentaram na ocasião, o visual composto pela alfaiataria desabada se destaca não só pela sofisticação nata, mas também pelo afronte que a simplicidade promove em meio a uma enxurrada de saturação fashion. Produções com essa característica já podem entrar na categoria de clássicos eternos tal como ocorre com o combo mais básico e democrático de todos que sempre é revivido em dias de pressa ou de pouca imaginação, que é o da calça jeans com a camiseta. Tão fácil e democrático quanto, os conjuntos oversized de alfaiataria se alinham tanto na estética atual, como no nosso estilo de vida já que a elegância natural exalada de um look assim permite que ele se encaixe em toda a agenda do dia, com estilo, informação de moda, beleza e conforto acima de tudo.

 

fall 22 COUTURE – o veludo como protagonista

01.08.22 | Semanas de Moda Tendências


 

A semana de alta-costura não serve exatamente para analisarmos tendências já que as peças desfiladas ali têm outro propósito, conforme já contamos um pouco aqui. Mas o que podemos tirar dessa temporada é um direcionamento tanto para analisarmos a atmosfera da alta-costura em geral em uma temporada específica quanto, de forma mais nichada, promover ideias para quem precisa usar um tipo de visual mais elaborado. Nesse sentido, vimos que o veludo foi um dos materiais que mais apareceram nos desfiles e em diversas configurações de estilo. Vimos o veludo sendo utilizado de maneira mais clássica nos conjuntos de características tradicionais nas passarelas da Chanel e da Armani Privé e com uma roupagem mais rica, bem ao estilo couture, nas apresentações de Zuhair Murad e Elie Saab. Na Schiaparelli e pelas mãos de Alexandre Vauthier, o material ganha ainda mais glamour com a adição de elementos metalizados imponentes e na Valentino, são aos proporções ostentosas que conferem ainda mais teatralidade ao veludo. O que todas as apresentações têm em comum é que o material foi usado em cores profundas, o que imprime ainda mais densidade e drama às peças.

 

HN – 2 microtendências do momento

28.07.22 | Moda Tendências


 

A série “Happening Now” aqui do blog fala sobre as microtendências que aparecem de forma recorrente sobretudo nas redes sociais, mas que em algum momento também passaram pelos desfiles mais recentes. Hoje vamos citar duas peças de propostas totalmente distintas, mas que têm surgido bastante nos feeds do universo virtual: os vestidos justos e de textura franzida e as saias longas de pegada utilitária. Ambas as tendências são releituras de décadas distintas e que também estão em evidência já há algum tempo. Estamos falando dos começo dos anos 2000 e dos anos 90. Esses vestidos mais ajustados, recortados e com detalhes franzidos são muito característicos dos anos 2000 e também representam o resgate da linguagem sensual que vem sendo bastante explorada pelas marcas desde a mais recente temporada spring. Já as saias cargo alongadas são uma extensão do movimento das roupas típicas do paraquedismo, que começou especialmente com as calças desse estilo (já falamos delas aqui). Além de estarem em sintonia com os desejos atuais de consumo, essas saias são bem características do final dos anos 90, em especial na estética de grupos como os clubbers e artistas do R&B americano – vide a saia usada pela cantora Chilli do grupo TLC no mooodboard abaixo.

 

Analisando a relevância da ALTA-COSTURA

15.07.22 | moda pra pensar Semanas de Moda

Fato: uma marca não se sustenta somente com a alta-costura. Na verdade existem mais gastos do que lucro efetivo em uma coleção dessa natureza. São processos artesanais intermináveis, mão de obra especializada, matéria-prima cara e apenas duas apresentações anuais alguns dos fatores que tornam a alta-costura, por si só, insustentável. A própria nomenclatura alta-costura é legalmente protegida e somente após diversos processos de verificação e cumprimentos de regras determinadas é que uma marca ganha autorização para usar o termo Haute Couture, detido pela Fédération de la Haute Couture et de la Mode (FHCM). Mas se é um processo tão complicado e caro, por que ainda existe? Podemos citar alguns elementos que contribuem para que a HC se mantenha relevante com o passar dos anos e que garantem sua sobrevivência no futuro.

 

 

Segundo Pascal Morand, presidente executivo da FHCM, “couture implica em um alto nível de criatividade, em um alto nível técnico e também um nível absoluto de individualização” (em entrevista para o NY Times de 27/01/2017). Ou seja, basicamente nós transformamos nossa percepção a respeito de uma marca através da alta-costura. O lucro de grandes nomes do setor vem majoritariamente de seu departamento de acessórios e beleza, sendo a HC, portanto, um aceno definitivo para o luxo em um mercado onde a diferenciação é essencial para o destaque e a sobrevivência. A alta-costura, assim, oferece essa oportunidade de evidência adicional. É na alta-costura que uma marca cria emoção, apelo, sonho e gera o desejo muito mais focado em seu “peso” e significado do que pelo que cria propriamente. Couture, portanto, é arte. Mas muito mais do que arte, também é estratégia de posicionamento. Segundo o professor Jean-Noel Kapferer, uma autoridade no setor de luxo e autor de diversos livros sobre o segmento, “a ousadia e a criatividade da alta-costura beneficiarão o setor do ready to wear, pois permite que as marcas estabeleçam preços elevados e assim aumentem sua autoridade simbólica no mercado”. E isso ocorre por causa do efeito “trickle down”, ou efeito de gotejamento. Desde que os seres humanos se vestem além da função de se protegerem e desde que a sociedade se estruturou em um sistema de hierarquia de classes, esse efeito de gotejamento existe na moda. Ele funciona como um mecanismo natural de criação do desejo através da hierarquização das classes sociais. Resumindo: se os mais ricos usam e gostam, eventualmente a massa também vai ser influenciada. Percebe o poder da alta-costura mesmo que ela seja feita para uma clientela tão restrita? O impacto gerado pela HC é refletido em todos os setores de uma marca que, por sua vez, se posiciona, se valoriza no mercado e tem aval para praticar os preços e a estética que bem entende. Outro ponto relevante é o nicho. A HC conversa com indivíduos específicos e privilegiados (muito privilegiados) e é uma ferramenta para que esses mesmos indivíduos se diferenciem. Isso cria uma relação a longo prazo com essa clientela cujo capital não fica restrito somente às criações feitas sob medida. E o crescimento do número de bilionários no mundo em especial nos mercados emergentes amplia a atuação da HC, ao mesmo tempo que ela ainda permanece restrita a um grupo específico.

 

 

E como ela se atualiza? Principalmente com a flexibilização de algumas regras e com a busca de singularidade. Ou seja, mesmo que haja um número obrigatório de looks a serem desfilados para que uma marca consiga ser convidada para a semana de alta-costura de Paris, essa regra pode ser revista caso o estilista tenha relevância, singularidade, apelo e flerte com a inovação, como acontece com a holandesa Iris Van Herpen, que além de poder desfilar menos looks do que a regra da FHCM estabelece, ainda usa a impressão 3-D para produção de suas peças (o que iria contra as regras da federação que exige que as roupas sejam feitas à mão).

 

 

A entrada de marcas mais arrojadas no calendário também contribui para que a curiosidade e a importância na HC se mantenham, como é o caso da Balenciaga, do duo holandês Viktor & Rolf e da belga Maison Martin Margiela comandada por John Galliano.



Algumas marcas que se apresentam nessa temporada também podem chamar a atenção para problemas sérios da atualidade, como no caso da Dior que fez uma coleção inteira dedicada ao folclore ucraniano em colaboração com a artista Olesia Trofymenko ou nas coleções sustentáveis de Ronald van der Kemp que desde sempre atua da maneira a causar menos impacto ambiental possível com suas criações, ao mesmo tempo que entrega um trabalho de alto valor artístico.



 

A HC acompanha o presente e se flexibiliza sem, no entanto, perder seu caráter de exclusividade e acenar para a banalização, o que faria cair por terra toda a estratégia de posicionamento e autoridade das marcas. Hoje, portanto, muito mais do que regras engessadas e expectativas de looks magistrais e impossíveis, a HC é sobre singularidade. É todo um universo a parte que independe de tendências e movimentos sazonais e é justamente por sua sagacidade na adaptação ao presente que a alta-costura continuará sendo relevante no futuro. O relaxamento estratégico de seus códigos e a entrada de novos membros traz dinamismo e renova o interesse pela HC, ainda que o ingresso nesse clube continue sendo muito restrito.

SPFW 53 – Os movimentos que marcaram a semana de moda paulistana

13.06.22 | Look da Paula


 

Se pudéssemos escolher duas palavras para descrever a atmosfera das coleções apresentadas nessa edição da SPFW seriam sensualidade e sofisticação. Essas duas características permearam de maneira muito subjetiva cada apresentação, mas com um fator em comum: a brasilidade. A espontaneidade, a despretensão, a leveza e todas as características que moldam o espírito brasileiro se manifestaram em cada criação de modo a enaltecer diferentes maneiras de ser brasileiro, em especial nos contextos mais distantes da bolha da moda. Seja nas criações mais sofisticadas, passando por aquelas mais esportivas ou mesmo nas peças ultra festivas, o DNA brasileiro pôde ser notado e vem se firmando como um movimento de retomada do nosso orgulho e da nossa liberdade (baseada na esperança de um cenário pós-pandêmico e na iminência do atual governo se tornar apenas uma lembrança vergonhosa, porém distante) e isso ocorre, também, por conta de uma nova leva de criativos talentosos que ampliam nossa percepção sobre a moda brasileira. Observamos seis movimentos nesta SPFW que contextualizam a sensualidade e a sofisticação brasileiras de maneiras muito diversas, tal como a moda deve ser.

 

 

 

 

 

 

Verão 23 | Dinamismo metálico

08.06.22 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Muito tem se falado no retorno das narrativas estéticas dos anos 2000 e o movimento sobre o qual vamos falar agora é um reflexo muito marcante da época. As malhas fluídas e de efeito metalizado são bem características do período, especialmente em saias e vestidos de comprimento médio, conjuntos esportivos, peças com decote de efeito drapeado e calças de comprimento encurtado – itens que basicamente marcaram o início do Séc. XXI em termos de estilo. As padronagens metálicas aqui se diferenciam pelo dinamismo. São malhas com efeitos espelhado, brilhante e molhado (seja por materiais refletivos, como o lamê e demais tecidos acetinados, pelos fios de lurex ou pelos paetês) que têm a maleabilidade como atributo indispensável para se enquadrar nessa nova proposta de uso dos metalizados. Essa fluidez vem justamente para democratizar e facilitar o uso de materiais brilhantes em contextos menos formais, desmistificando a ideia de que o brilho é desconfortável ou mais apropriado para eventos noturnos. Nos desfiles, podemos ver como o metalizado foi inserido em diferentes conceitos para comprovar sua versatilidade, como no estilo mais sensual visto nas passarelas de Tom Ford e Versace, no romantismo proposto na Dior, na casualidade esportiva de Brunello Cucinelli e Blumarine ou mesmo nas composições mais criativas sugeridas por Isabel Marant e Brandon Maxwell.

 

HAPPENING NOW – 3 microtrends que estão em alta no momento

01.06.22 | Look da Paula


 

Já faz muito tempo que os desfiles deixaram de ser a única fonte de inspiração e origem quando tratamos de movimentos de moda. Além das ruas e dos movimentos culturais, hoje ainda temos as redes sociais que não só fazem parte do mecanismo de criação de desejo, como também são uma das principais fontes do surgimento e da propagação de uma tendência, ainda que de maneira muito rápida. De olho nessas novas dinâmicas, criamos a tag #happeningnow, que são justamente esses micromovimentos que ganham enorme notoriedade, sobretudo nas redes sociais, e que tão logo surgem, também são rapidamente substituídos. Dessa vez percebemos 3 microtendências que também já foram detectadas nas imagens do street style das últimas semanas de moda. A calça paraquedas tem uma estética bem utilitária e vem com a forma ampla, dramática e bem literal a sua referência estética. A bota cowboy aqui passa longe da inspiração western ou boho e compõe produções sofisticadas, urbanas e sensuais. No campo dos acessórios, as bolsas estruturadas, compactas e de textura brilhante são as escolhidas para finalização do visual e ganharam notoriedade especialmente pelos modelos Ring Swipe da Coperni.

 

Verão 22/23 – Sobriedade que destaca

27.05.22 | Moda moda pra pensar Semanas de Moda


 

Num primeiro momento pós-pandêmico presenciamos um fenômeno estético que já esperávamos devido ao tempo em que passamos confinados por conta ao isolamento social: o look escapista. Em que pese o conforto ter se tornado uma característica primordial para as nossas escolhas de vestuário conforme a vida voltava ao “normal”, vimos que muitas coleções e muitos consumidores se voltaram para o movimento do exagero visual, da ousadia, da experimentação e estabeleceram novos laços com seus armários no sentido de ampliar suas possibilidades sobretudo por dois motivos: saudade do vestir para sair e incertezas sobre o futuro. Desse contexto, vimos surgir outra forma de manifestação visual tão relevante, grandiosa e esteticamente marcante quando a primeira: a linguagem sensual pura. Os códigos sensuais tão excluídos pela moda e colocados em um lugar de vulgaridade se tornaram uma representação de liberdade do corpo por muito tempo escondido devido ao receio do toque, da contaminação, da exposição. E é claro que com movimentos tão acentuados pelo exagero é de se esperar que caminhos opostos sejam tomados para que os mecanismos de criação do desejo da indústria da moda continuem alcançando o maior número possível de consumidores. Aqui, o que destaca é a sobriedade. Mas não estamos falando de um visual clássico pontuado pelos conceitos básicos de discrição. Esse movimento se configura pela modéstia não óbvia, pela impressão de discrição ao primeiro olhar que se esvai quando lançamos uma observação mais profunda aos detalhes que enobrecem o visual. São looks sobretudo monocromáticos ou compostos de tons tradicionais e que sugerem sofisticação, mas que formam uma elegância não engessada. “Easy chic” é o que expressa essa narrativa. É a simplicidade que se sobressai em um feed repleto de produções ultra chamativas e que gera impacto pela nobreza dos materiais misturados com a naturalidade das peças artesanais, pelos volumes que promovem a liberdade de movimentos e se comportam como uma extensão da nossa silhueta e pela sofisticação despretensiosa que torna inevitável não parar para observar mais a fundo. Simples, porém não trivial. Sofisticado, mas sem soberba. Rico, mas longe de ser elitista ou ostentoso. Em tempos de saturação visual, vibrações mais tranquilas são indispensáveis para o nosso equilíbrio e os pés no chão.

 

5 movimentos de moda das pré-coleções

19.05.22 | Moda Tendências


 

As coleções intermediárias, como Resort, Cruise e pre-fall são aquelas mais comerciais, que ficam por mais tempo nas lojas e que também nos trazem alguns movimentos que podem anteceder o que veremos nas passarelas durante as temporadas principais. Além das coleções resort que estão sendo apresentadas agora e são uma prévia da temporada spring 23, tivemos algumas marcas que apresentaram recentemente suas criações para o pre-fall, apesar dos desfiles fall 22 terem ocorrido no começo do ano. Aqui montamos um resumo dos principais movimentos que detectamos nestas pré-coleções que, por serem menos conceituais, tendem a inspirar muito mais nossas escolhas visuais.