NYFW S/S 22 – a segunda parte dos desfiles da semana de moda nova-iorquina

22.09.21 | Moda Semanas de Moda


 

Na segunda parte do resumo dos desfiles da fashion week nova-iorquina notamos alguns movimentos que podem ser vistos como uma extensão daqueles mencionados na primeira parte e outros que se confirmaram das semanas de moda ocorridas na escandinávia. Fato é que desde o começo da nossa realidade pandêmica, duas macro-tendências parecem se confirmar a cada temporada: o maximalismo e o minimalismo. O primeiro pautado pela ideia da informação de moda extrema e o segundo que prioriza o conforto e a modéstia parecem ser o norte de diversos outros micro-movimentos que conseguimos detectar nas apresentações até agora.

 

Scandinavian street style s/s 22 – LET’S CELEBRATE!

02.09.21 | Get Inspired By Street Style


 

Se olharmos para as imagens do street style das semanas de moda de Estocolmo, Copenhague e Oslo em um período pré-pandêmico conseguimos notar uma diferença abismal das fotos desta temporada (a primeira com desfiles presenciais em mais de um ano). Se antes o estilo das escandinavas inspirava pelo minimalismo aliado a um design arrojado, pelos tons terrosos pálidos, pelas novas perspectivas sobre peças tradicionais, pelo styling repleto de referências distintas unidas de forma harmônica, pela simplicidade sofisticada e pela ausência de limitações no que se refere às colaborações entre os armários feminino e masculino, desta vez entram em cena as cores vibrantes, a estamparia festiva, a riqueza de detalhes, o exagero pensado nos acessórios, uma mistura ainda mais ampla de referências, as peças statement ou looks completos statement, o artesanal efusivo e um design ainda mais diferenciado. Estética elaborada para chamar a atenção.

 


 

Nós já temos falado há algum tempo sobre este movimento que une a alegria de voltar a sair com a vontade de voltarmos a nos arrumar. Ele foi observado desde as temporadas spring 21 RTW e resort 22 e se firmou no street style da semana de alta-costura parisiense. Tivemos, afinal, bastante tempo durante o isolamento social para rever nossos armários, pensar em composições diferentes e até comprar itens novos. Esse exercício forçado usado como uma maneira de fazer o tempo passar pode ter aprimorado nosso senso de estilo e a vontade de ousar mais em termos estéticos é natural. Justamente por isso é que mulheres que já possuem uma noção de moda muito elevada, como acontece com as comunicadoras escandinavas, inovam ainda mais quando encontram mais tempo com seus closets e desenvolvem uma adaptação visual ajustada ao espírito do tempo com maior intensidade.

 


COPENHAGEN spring 22 trend report pt. II

26.08.21 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Na segunda parte das nossas análises das apresentações da semana de moda dinamarquesa vimos que a sensualidade se fez presente nos detalhes para equilibrar movimentos de referências mais urbanas ou delicadas, que a ressignificação de roupas e acessórios cada vez será mais presente em prol de atitudes de consumo e de criação mais sustentáveis, que olhares amplificados podem fazer surgir novas propostas e que a criatividade pode ser exercida mesmo nas inspirações mais tradicionais. Confira a segunda e última parte das nossas observações sobre os movimentos de moda da Copenhagen fashion week:

 

COPENHAGEN spring 22 trend report pt. I

24.08.21 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Quem acompanha o blog há um tempo sabe que nós temos um apreço especial pelas semanas de moda escandinavas. Isso porque, além de ser recomendado – tanto para quem trabalha nesta área como para quem gosta – analisar as fashion weeks que ocorrem fora do circuito tradicional NY-Londres-Milão-Paris, as apresentações dessas regiões são cheias de referências criativas e inspiram tanto pela audácia, quanto pela beleza (especialmente pelas novas propostas do que entendemos por belo). A semana de moda de Copenhagen da temporada spring 22 aconteceu neste mês e já montamos um report dos principais movimentos que observamos por lá, dividido em duas partes. Confira:

 

a.camisa + araras | confira a nova coleção

12.08.21 | Get Inspired By Lifestyle Look da Paula


 

Quem conhece a marca a.camisa da Paula sabe que as peças não seguem um calendário fixo de lançamento. Isso porque a a.camisa é baseada no princípio do slow fashion, que preza pela qualidade, exclusividade e principalmente pela experiência do cliente. Exemplo disso são as parcerias que já foram firmadas entre a marca e diversos nomes importantes tanto do mercado da moda quanto das artes, o que torna as peças ainda mais especiais. Então quando a a.camisa foi convidada para participar de um projeto tão único quanto o da loja Araras, a Paula sentiu que era o momento de uma nova coleção. A Araras é uma multimarcas excepcional que possui uma curadoria ímpar de produtos interessantíssimos, que vão desde roupas e calçados até objetos de decoração.

 

 

E para alinhar o storytelling da a.camisa com o manifesto da Araras, a Paula criou quatro modelos de camisa inspirados pela alfaitaria masculina e pela sofisticação atemporal deste universo. Os detalhes encontrados em cada uma das peças exploram essa atmosfera masculinizada, porém suave. São nervuras, golas estruturadas, modelagens levemente desprendidas, ombros delicadamente pontuados e estamparia clássica. Apesar dessas referências mais tradicionais, as camisas são pensadas para uma mulher contemporânea, que preza pelo conforto, mas não abre mão de deixar clara sua identidade através do estilo.

 

 

Todos os quatro modelos a.camisa já podem ser encontrados na Araras, que fica no primeiro piso do Shopping JK Iguatemi. Vale muito a pena conhecer esse universo Araras e todos os itens cuidadosamente escolhidos pelo competente time da loja.

 


 

 

Lembrando que estes modelos são encontrados somente na Araras, mas você pode conhecer as outras peças através da nossa loja virtual
 
Araras
Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, piso I

Análise de estilo – EMILY RATAJKOWSKI

05.08.21 | Get Inspired By Lifestyle Styling


 

O estilo sensual, como o próprio nome sugere, tem características muito explícitas dos códigos de sedução, poder e dominação – e aqui não estamos falando do âmbito sexual dessas definições. Este é um estilo pessoal bem familiar para grande parte das brasileiras que, até pelo clima do País e por nossa personalidade, apreciam este jogo de revelações do corpo através das roupas e de alguns elementos de design que fazem parte deste pacote, como decotes, fendas, transparência, texturas brilhantes, cores profundas, animal print, materiais densos e marcantes como couro e vinil, etc. A atriz e modelo americana Emily Ratajkowski é um exemplo prático perfeito desse estilo, mas em seu caso existem alguns diferenciais que tornam seu visual muito mais atual e ajustado com a definição da sensualidade contemporânea. No caso de Emily, são duas as peculiaridades que distinguem a sensualidade da sua figura: a manipulação inteligente do que deve ser mostrado e do que deve ser escondido junto com a habilidade em unir características estéticas opostas ao estilo sensual de forma tão orgânica. O corpo à mostra através de decotes e comprimentos encurtados ganha equilíbrio com a junção de peças utilitárias e volumosas ao visual; itens de shape ajustado que revelam os contornos da silhueta seguem para um lado mais descontraído quando finalizados com tênis ou botas de aspecto dramático; a alfaiataria pode ser reveladora nos recortes, mas tem dimensões amplificadas e equilíbrio de proporções. Acessórios e itens de complementação também são explorados a fim de modernizar a veia sensual de Emily. Tênis robustos, bolsas compactas e estruturadas que adicionam sofisticação ao visual, cores de baixa intensidade, casacos amplos e ricos em textura e acessórios pesados que trazem uma força à composição final. A atriz mostra que drama e casualidade formam o arremate perfeito para atualizar os atributos sensuais e propõe uma narrativa singular de modernização, com muito senso estético e sem descaracterizar a potência magnética deste estilo.

 

fall 2021 COUTURE | O street style exuberante que quer enterrar o conforto dos dias de lockdown

22.07.21 | Street Style Tendências


 

Desde o ano passado estamos de olho nesse movimento. Na temporada spring 2021 apresentada no final do ano passado, peças festivas já entregavam que o visual pós-pandêmico seria superlativo. Na temporada resort, a história se repete. Cores solares, texturas brilhantes, styling exuberante e formas dramáticas confirmavam a tendência. Nesta semana de alta-costura vimos que o luxo e seus códigos clássicos foram potencialmente elevados pelos estilistas e o street style da temporada (a primeira com diversos desfiles presenciais após longos meses de confinamento e apresentações digitais) buscou enterrar de vez o conforto aplicado aos nossos looks nos dias de lockdown. Com as pessoas voltando a ocupar as ruas no hemisfério norte, um evento como a semana de alta-costura foi o momento ideal para que todas as prodigiosas ideias de styling e todas as roupas adquiridas impulsivamente durante o isolamento fossem merecidamente vistas. A modéstia e a casualidade dão lugar a uma estética mais bem construída e rica em detalhes que sugerem abundância e otimismo para o que está por vir. Para esquecer de vez o moletom no fundo do armário.

 

fall 21 COUTURE | o luxo clássico e a relevância da semana de alta-costura

15.07.21 | Lifestyle Moda Semanas de Moda


 

Em um período tão desafiador é normal e esperado que nos questionemos sobre prioridades, relevâncias e o papel das coisas em nossas vidas, seja no âmbito subjetivo ou para a coletividade. Nesse sentido a semana de alta-costura – super exclusiva e feita para uma parcela ínfima da população – pode parecer deslocada da realidade, ainda mais da nossa realidade atual, mas a gente pode fazer um exercício e pensar um pouco além disso. Para nós é óbvio mencionar o papel escapista que a moda performa e que é de extrema importância para períodos em que um alívio mental é necessário. Ainda mais quando tratamos de alta-costura, onde a função imaginativa da moda é ainda mais potente, nossa condução para um lugar de escapismo através da observação e da admiração, tanto em relação à técnica quanto à beleza das criações, é inevitável. Nesse contexto ainda temos o desenvolvimento criativo dos próprios estilistas. A temporada de alta-costura é o ambiente fértil para a inovação, para o vanguardismo e até para a piração. É aqui que os designers exercem suas expertises técnicas aliadas aos projetos imaginativos livres de limitações. Fato é que o mundo aos poucos está voltando ao normal (especialmente no hemisfério norte) e com uma profusão de discussões a respeito do papel da moda daqui pra frente junto com uma realidade em que diversas marcas têm buscado mudar seu direcionamento estético para algo que acreditamos ser mais condizente com a realidade (leia-se criações modestas, confortáveis, que priorizam a performance e com pouca margem para um estilo diferenciado), é esperado que um caminho totalmente diferente seja tomado quando o clima é propício para tanto. E nessa temporada de alta-costura, foi justamente o que aconteceu. Nesse lugar onde a inovação e a generosidade não têm um limite orçamentário, o luxo imperou. Mas não estamos falando de qualquer variação contemporânea a respeito da definição de luxo. Aqui o luxo é o que é e ponto. Sem desculpas. Todos aqueles códigos que atravessam a história e que formaram a concepção clássica do que é luxuoso podem ser encontrados aqui. Volume, brilho, exuberância, pele (fake, obviamente, já que até o luxo mais tradicional é passível de adaptação), joias, luvas, chapéus, scarpins de bico fino. O luxo pelo luxo na sua representação mais clássica teve uma retomada significativa nessa temporada que visa, além do escapismo, a clara mensagem de que ninguém aguenta mais a escassez – financeira, de escolhas, de autonomia sobre as mais simples decisões, de respirar… – é a abundância mostrada através de códigos de riqueza e por mais que não nos seja sequer alcançável o produto da alta-costura, sua mensagem é democrática e nos atinge em cheio. Que venham os tempos abastados!

 

SPFW51 | os movimentos de moda desta edição

01.07.21 | Moda


 

 

A estética esportiva já vem atuando nos movimentos de moda há algum tempo e de temporada em temporada ela sofre algumas reformulações que a atualizam e garantem que a tendência ainda permaneça em nossos radares. Nesta edição da SPFW essa atmosfera esportiva ganhou elementos que a deixaram com uma vibração futurista. Acessórios estruturados, recortes inusitados, texturas tridimensionais e a exploração de matéria-prima tecnológica imprimem esse clima de evolução do movimento.

 

 

 

As técnicas artesanais vinham sendo bastante utilizadas nas semanas de moda internacionais, portanto seria de se esperar que elas aparecessem com mais força por aqui também, especialmente porque o Brasil tem uma cultura artesanal riquíssima. Além de promover uma naturalidade nas criações, o que tem sido um movimento importante justamente por conta do nosso momento atual, essas técnicas geralmente enaltecem o trabalho de pequenos produtores com o consequente redirecionamento econômico para quem atua de maneira tão significativa e autoral no setor. Nesta edição da spfw, o crochê se mostrou uma das principais técnicas deste movimento e diversas marcas exploraram maneiras criativas de utilizá-lo e que fogem do clichê boho que geralmente associamos a esta trama.

 

 

 

Em um País colonizado, é comum que achemos o que vem de fora mais interessante. Mas não na semana de moda paulistana. Em um momento onde o Brasil está sendo tão negligenciado, incluindo o setor cultural, enaltecer as brasilidades que fazem o nosso País tão único e rico foi o caminho escolhido por diversos nomes desta temporada, principalmente por marcas menores. Nossa ancestralidade, nossas crenças, nossa natureza, nossas cores, nossos costumes e até nossa malícia serviram de referência para essas criações que se mostram verdadeiros atos de resistência. Da vida a partir do olhar dos caminhoneiros explorada pela Misci, passando pelos trajes que lembram as festas infantis feitas no quintal de nossas casas que podem ser notados nas criações lúdicas de Juliana Jabour, chegando na influência das religiões de matriz africana até os rituais indígenas e superstições nordestinas. O Brasil é grande e resiste.

 

 

 

Optar por cores sóbrias, composições discretas e marcas de conduta slow é um começo para aderir a um visual minimalista, mas nesta edição da spfw as criações com essa estética ganharam um nível mais condizente com o nosso momento, onde o conforto aliado à performance são características quase imprescindíveis para atravessar esse período desafiador. O visual minimalista desenvolvido por diversos nomes encontrou um dinamismo bem-vindo através dos recortes assimétricos, de intervenções que trazem mais riqueza e tridimensionalidade ao resultado final, como drapeados e plissados, das formas mais desprendidas e das construções singulares da silhueta.