desvendando a potência de ANGELINA JOLIE

29.10.21 | Get Inspired By Lifestyle


 

Atriz, cineasta e ativista humanitária, Angelina Jolie tem uma força gravitacional que nos coloca no lugar metafórico dos satélites que apenas orbitam em seu magnetismo. Mas qual a razão dessa potência? Atriz, cineasta e ativista humanitária são apenas alguns dos papéis que Jolie exerce e que exerce com plena entrega. Talvez é nesse ponto que podemos começar a desvendar o mistério da sua importância.

 

 

Uma sociedade patriarcal controla e induz a mulher a escolher um papel de protagonismo para sua vida – ou a mãe, ou a profissional, ou o símbolo sexual, ou a filantropa, ou a erudita, ou a divertida – caso contrário ela poderá sofrer consequências desastrosas representadas pelo isolamento, pelo preconceito, pelo esquecimento e até por vias mais violentas. A mulher que escolhe prosperar na carreira não pode ser uma boa mãe. A mulher que se destaca pelo corpo certamente não pode ser muito inteligente. A mulher que se entrega à caridade possivelmente não é atraente, assim como a mulher inteligente. Bonita, inteligente, mãe e ativista, consegue pensar em alguém que tenha exercido esses papéis com entrega plena? Diana Spencer – que sofreu consequências desastrosas por ousar trocar o “ou” pelo “e”. A conjunção “ou” indica uma escolha ao invés da outra. No caso de Jolie, a conjunção “ou” não é uma escolha em sua narrativa de vida e possivelmente a troca do “ou” pelo “e” na narrativa de vida de muitas mulheres passou a ser possível também pela sua figura e de tantas outras que escaparam da armadilha social da constrição e do encaixotamento dos papéis femininos.

 


 

Jolie foi uma das mulheres que mostrou que é possível contornar a emboscada patriarcal do papel único ou pelo menos do papel dominante. A mãe, a filantropa, o símbolo sexual, a culta, a profissional, a famosa e a capacidade de performar em tudo isso com potência igualitária. Claro que não podemos deixar de lado seus privilégios e sua aparência, que certamente contaram para a pavimentação uniforme desse caminho. Uniforme, porém certamente caótica, como é para todas as mulheres. O diferencial de Angelina é que esse confronto silencioso das amarras sociais se dá com a união de aparência e ação. Ela é uma escolha não convencional de “exemplo” por se fazer plural e poder exercer sua pluralidade sozinha. Aqui entra o “ou”. A figura masculina passa a ser uma alternativa, mas nunca uma necessidade. Suas escolhas criteriosas de carreira demonstram seu poder de relevância mesmo com o passar dos anos e reforçam suas prioridades familiares e humanitárias, o que solidifica sua potência.

 

 

 

Ela é o que chamamos de um tipo ideal de figura feminina justamente porque possibilita a projeção de acessos plurais a outras mulheres. E como as reticências são mais interessantes que o ponto final, Jolie lançou recentemente o livro Know Your Rights and Claim Them. Voltado para o público jovem, o livro tem como objetivo auxiliar e empoderar através do conhecimento e da educação sobre direitos básicos para a construção de uma sociedade igualitária. Não podemos nos esquecer que com dinheiro e uma rede de apoio competente, o acesso e a performance em diferentes papéis se tornam mais viáveis, mas por outro lado tornam-se também dispensáveis, ainda mais os papéis espinhosos e burocráticos. Aqui encontramos outra dica da razão da potência de Jolie: a escolha por multiplicar seus “es” para muito além do próprio benefício.

 

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