PFW Fall 21 | os casacos que fazem a diferença

11.03.21 | Semanas de Moda Street Style


 

Na semana passada falamos sobre o street style da semana de moda de Milão (caso tenha perdido é só clicar aqui) e em como o momento atual impactou nas produções da ocasião, antes marcada por looks extravagantes, conceituais e compostos em sua esmagadora maioria por etiquetas restritas a uma pequena parcela da população. Com as apresentações da temporada acontecendo agora em Paris, notamos que a moda das ruas tem seguido a mesma linha estética mais modesta e desafetada da cidade italiana. A simplicidade nas escolhas das frequentadoras da Paris Fashion Week é evidenciada também pela impressão do exercício de revisitação do próprio armário. O diferencial aqui fica por conta dos casacos. Este item de complementação do visual tem um importante papel de deixar todo o resultado final mais interessante e em muitas vezes se torna o ponto de riqueza, o protagonista do look. E as imagens das ruas de Paris mostram exatamente isso. Houve um resgate dos casacos mais longos que substituem as jaquetas e os modelos médios das outras temporadas. Essas peças, ainda, chegam enriquecidas ou pelas texturas marcantes de materiais robustos, como o couro, o vinil e os pelos fake ou pela distinção do corte e do caimento impecáveis. Seja para deixar o visual mais sofisticado ou impactante, um bom sobretudo, certamente, é um item que pode valer o investimento pela sua capacidade de elevar qualquer produção. Confira:

 

MFW FALL 21 | Novos propósitos no street style da semana de moda de Milão

04.03.21 | Semanas de Moda Street Style


 

A semana de moda de Milão é certamente uma das mais tradicionais e importantes do circuito, até porque é, junto com Paris, onde alguns desfiles presenciais de algumas das marcas mais relevantes da indústria estão acontecendo, mesmo no momento atual. Aliás, é o momento que vivemos o ponto central para analisarmos os looks que andam circulando pelas ruas de Milão durante a fashion week. Se antes tínhamos a cidade como uma das mais efusivas e extravagantes no assunto street style em um período pré-pandêmico, hoje o cenário é diferente.

 


 

 

 

É claro que quando tratamos das produções encontradas nas portas dos desfiles é comum nos depararmos com visuais que geralmente fogem da realidade comum, mas se adequam à ocasião de aura mais glamorosa. A pandemia e o consequente isolamento social, no entanto, parecem ter mudado drasticamente o modo de manifestação do estilo pessoal. O exagerado e o conceitual de antes deram lugar a um visual muito mais real e condizente com o momento difícil que o mundo está passando. Se o consumo desenfreado não faz mais sentido frente a outras prioridades, exercer um novo olhar sobre o que já existe em nosso armário parece ser uma atitude muito mais apropriada com o presente, que também se pauta pela sustentabilidade. Vimos produções que realmente podemos usar, compostas em sua maioria de itens tradicionais do guarda-roupas, mas também percebemos um movimento de exercer novas construções da silhueta, com a exploração de sobreposições e de novas funções para as peças (uma camisa pode simplesmente se tornar um vestido, por exemplo). Itens que fazem alusão a brechós também apareceram bastante, bem como a combinação de peças que geralmente seriam destinadas a ocasiões mais formais misturadas com outras de cunho casual e urbano.

 

 


 

 

 

São novas prioridades para comportar um novo estilo. Não estamos dizendo que você precisa sacrificar aquilo que realmente gosta em prol de um visual mais confortável ou modesto. Mas agora é o momento de exercer a criatividade e é justamente isso que essas imagens do street style de Milão nos passam. O look real e atual não precisa ser simplório mas pode muito bem passar pelo crivo de novas interpretações se você estiver disposta a exercitar seu lado mais imaginativo.

 

Monocromáticos TERROSOS

25.02.21 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Os tons terrosos já se tornaram um clássico e ao menos uma peça com essa característica pode ser encontrada nos mais diversos armários. Essa é uma família sofisticada de cores e devido a sua grande variedade de nuances seu uso é bastante versátil, já que todas elas combinam perfeitamente entre si, o que possibilita um maior aproveitamento do guarda-roupas. As apresentações da temporada fall 2021 reviveram os tons, como é de se esperar até pela própria natureza da temporada, mas de uma maneira um pouco mais moderna. Looks monocromáticos são considerados criativos e corajosos, já que dependendo do tom escolhido o visual pode ficar bem marcante. Mas uma produção monocromática feita somente com tons terrosos é capaz de manter essa diferenciação sem, no entanto, exagerar na dose de teatralidade. Muito pelo contrário. Justamente por se tratarem de cores que possuem uma essência naturalmente sofisticada, existe um equilíbrio entre a dramaticidade inerente ao look monocromático e a elegância desses tons. Outra característica que notamos nesse movimento monocromático terroso, é em relação aos materiais das peças que, em sua maioria, são mais densos. Couro, camurça, lâ, pelos, sarja e uma alfaiataria mais encorpada trazem ainda mais modernidade ao caráter tradicional dessas cores.

 

Decorativismo 70’s

18.02.21 | Moda Semanas de Moda Tendências


 

Como você viu na semana passada, nós aqui do escritório já estamos de olho nos movimentos da temporada fall 2021 (caso tenha perdido a primeira análise, clique aqui) e conforme as apresentações vão acontecendo, nós conseguimos captar diversas referências para geramos nossos conteúdos. Dessa vez, com a NYFW acontecendo (mesmo que em grande parte remotamente), percebemos um movimento que enaltece a estética da decoração dos anos 70. Pense nos papéis de parede, na tapeçaria, nos estofados, nas cores e nos materiais que eram utilizados na época para o decor das casas e veja nosso moodboard abaixo que você notará as semelhanças, que também remetem ao próprio design das roupas setentistas. São tons terrosos mais opacos, florais, xadrezes e paisley nas padronagens e texturas mais densas e marcantes, como o jacquard, o veludo, a lã, o jeans e o lamê, aplicados em calças com barras mais amplas, vestidos de comprimento midi, macacões e peças com golas mais fechadas. O visual aqui não faz só uma alusão ao período, mas se mostra quase literal e tem essa atmosfera vintage que se relaciona também com as peças encontradas em brechós.

 


fall 2021 RTW | Sobrevivência

11.02.21 | Moda Semanas de Moda


 

As apresentações da temporada fall 2021 RTW começaram e já conseguimos perceber um movimento importante que permeou a essência da maioria das coleções até este momento. Sabemos que estamos em um período delicado em diversos setores da sociedade a nível mundial. Questões ambientais sérias, ascensão de um conservadorismo nocivo e limitante, a iminência de conflitos relevantes, instabilidade econômica, violência e, obviamente, uma pandemia. São diversos cenários pouco otimistas que contribuem, também, para que a moda se ajuste a este visual que sugere a sobrevivência nos mais diversos níveis. Ao que tudo indica, o clima otimista que inúmeros designers propuseram na temporada spring 2021 apresentada no final do ano passado foi colocado em modo de espera, ao menos nessas primeiras apresentações. O visual é pós-apocalíptico. Construções e sobreposições extremas indicam a ideia de se usar tudo o que for preciso e de uma vez. A mensagem inicial pode ser de uma vida nômade, onde é necessário carregar consigo o que for essencial para sobreviver, mas se analisarmos a fundo, a ideia é de segurança – usar o que nos remete a um lugar de conforto para manter a sensação de pertencimento onde quer que você esteja. Para captar esse mood, veja as coleções da Lameire, Y/Project e Wooyoungmi. A sobrevivência explorada aqui também faz alusão aos games, como é o caso da Balenciaga, que inclusive lançou um jogo junto com a coleção. A ideia de um mundo dominado pela tecnologia que pode a qualquer momento controlar os passos da humanidade já foi explorada à exaustão pelo cinema e pela literatura e o cenário catastrófico de Matrix, Exterminador do Futuro, Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451 e tantos outros também parece ter servido de referência para as coleções da Vetements, Eytys e Rhude. Já na Myar, o conceito é de ressignificação. Os casacos e os calçados que parecem ter sido feitos de última hora apenas com materiais que estavam ao alcance dão um clima pré-histórico ao visual, mas também levantam questões ambientais – reciclagem, upcycling, otimização para um consumo menor, segunda mão etc. Sobreviver também pode ser interpretado como se resguardar. O conforto das roupas típicas da permanência no lar entra neste movimento e pode ser visto nos shootings da Thakoon e da The Row, de clima seguro, familiar e intimista. De maneira concisa, essa atmosfera engloba roupas com características utilitárias, estampas camufladas, styling que cobre o corpo e sugere proteção, tecidos tecnológicos, mensagens fortes que desafiam ideais retrógrados, estética de gênero fluído e peças “para ficar em casa”. Obviamente a ideia de sobrevivência deste movimento é muito mais abstrata (assim esperamos). Esta concepção representa nossas batalhas e nossos modos de resistir de maneira subjetiva – seja enfrentando, seja se retraindo, não existe certo ou errado quando tratamos de sobrevivência.

 

 

primavera/verão 2021-22 | expressão corporal e MODA

09.02.21 | Lifestyle Moda


 

Já é sabido que a expressão através da dança é um dos grandes movimentos atrelados à geração Z. Basta ver o sucesso dos aplicativos voltados para as coreografias e em como a exploração dos movimentos corporais ganhou um espaço enorme nas redes sociais. Obviamente a moda já percebeu o potencial dessa manifestação criativa e diversas marcas exploraram a estética do ballet em suas coleções da temporada spring/summer 2021, apresentadas no final do ano passado. O ballet especificadamente traz uma ideia de delicadeza, suavidade e liberdade de movimentos que é coerente com o nosso momento atual. Afinal, estamos há algum tempo sob o peso do confinamento e das incertezas de como será uma sociedade pós-pandêmica. A pressão, o isolamento, o espaço limitante das nossas casas e a densidade das nossas inseguranças certamente contribuem para que almejemos algo muito mais leve e libertador daqui em diante. As influências relacionadas ao ballet podem ser literais, caracterizadas pelos trajes típicos da dança com seus volumes e materiais tradicionais ou através de referências sutis combinadas com outras mais urbanas e esportivas.

 

spring 2021 COUTURE – a segunda parte das nossas análises dos desfiles da semana de alta-costura

04.02.21 | Moda Semanas de Moda


 

Masculino e feminino, festa, subversão, loucura. A segunda parte do nosso ponto de vista sobre os desfiles da semana de alta-costura traz um bloco de apresentações que se destacam não só pela inovação, mas principalmente pelo questionamento do que significa couture nos dias atuais e frente a tantos problemas. O que os estilistas buscam, no final das contas, é o mesmo que nós. Quando nos vemos na mesma situação, ainda que em circunstâncias diferentes, voltamos nossos olhares para o que realmente importa, de maneira subjetiva. Um livro, a saudade da aglomeração, a manutenção da esperança de que tudo vai melhorar, a beleza nas coisas ou nos conceitos triviais ou na pior das hipóteses que é quando nada mais nos inspira, simplesmente mantemos o foco em não enlouquecer. São pensamentos e atos potentes que surgem frente à situações sérias e que nos mantém vivos. E é exatamente o espectro desses atos e pensamentos que inspiraram os designers desta segunda matéria sobre os desfiles haute couture. Se você ainda acha que moda é futilidade, sugerimos uma reinterpretação dessa objeção e te convidamos a pensar e associar o que acontece em um simples evento como é o desfile com o que acontece a no mundo, hoje.

 


spring 2021 COUTURE – a primeira parte dos desfiles da semana de alta-costura de Paris

28.01.21 | Semanas de Moda


 

A semana de alta-costura de Paris finalmente chegou para nos trazer o escapismo necessário em tempos sombrios. Muito se discute sobre a relevância de uma semana de moda feita para uma clientela diminuta e privilegiada, mas a verdade é que a alta-costura, por mais que seja uma realidade não só inacessível, mas inimaginável para a maioria de nós, representa essas criações que manifestam de forma exponencial toda a expertise, criatividade e ousadia (ou não) dos poucos estilistas que compõem o calendário. Além das criações pautadas pelo tradicionalismo, tivemos boas surpresas no que diz respeito à inovação, especialmente na Schiaparelli e na Valentino. Confira a primeira parte das nossas impressões dos desfiles de alta-costura desta temporada.

 

O efeito BOTTEGA

21.01.21 | Get Inspired By Lifestyle Moda



 

A tradicional casa italiana foi fundada nos anos 60 e quase que instantaneamente se tornou um sucesso de vendas com seus artigos em couro, especialmente por conta da técnica exclusiva de entrelaçamento do material denominada intrecciato. Verdade seja dita, a parte de acessórios sempre foi o carro-chefe da marca. As bolsas e calçados da Bottega são um dos artigos de luxo mais desejados do mundo e, sim, valem cada centavo. As técnicas de manufatura da casa, o primor do material e o design atemporal são alguns dos elementos que alçaram a marca a um patamar ocupado por poucos. Mas por mais que um nome esteja consolidado no mercado, especialmente como autoridade em um determinado produto ou matéria-prima, a necessidade de renovação mais cedo ou mais tarde bate à porta. A reinvenção da Bottega veio com a chegada do estilista britânico Daniel Lee. Com apenas 32 anos, o designer já passou por marcas como Balenciaga, Maison Margiela e sua mais recente atuação foi na Céline da era Phoebe Philo. Com uma bagagem tão importante, foi criada uma expectativa enorme em torno do seu trabalho, que veio acompanhada de um receio justificável de suas criações serem apenas extensões das marcas pelas quais o estilista passou. Mas o que se viu em sua coleção de estreia foi justamente uma identidade própria, pautada por uma elegância silenciosa e um design contemporâneo que surpreendentemente têm total relação com o legado da Bottega.

 


 

Da coleção fall 2018 para a temporada fall 2019, quando houve a estreia de Lee, a diferença é notável. Percebe-se a essência da Bottega, mas também notamos a mão do estilista. Essa harmonia entre a criação e a herança de uma marca não é tão fácil de acontecer e temos visto diversos nomes tradicionais do mercado se perdendo completamente em suas modernizações ou ficando sem um sentido nas suas novas abordagens. Lee trouxe uma narrativa consistente para a Bottega. Abriu a porta de novos tempos para a marca, mas com deferência a sua história. Suas criações têm grande apelo no mercado e passaram a ser expressivamente vistas no street style, além dos desfiles da Bottega hoje serem um dos mais aguardados do circuito. Claro que com o sucesso, vem o infame inspired. As criações de Lee, especialmente os calçados e as bolsas, servem (descaradamente, diga-se de passagem) de “inspiração” para inúmeras marcas ao redor do globo e se tornou fácil encontrar, por exemplo, as sandálias de tiras trançadas e almofadadas, os scarpins de tramas vazadas e os mules com uma imitação desafortunada do famoso intrecciato da marca. Independente disso, é um prazer assistir aos desfiles da Bottega sob o comando de Daniel Lee e perceber que o tradicional pode se juntar ao futuro com dignidade quando diversos fatores são observados. Entre os principais, está o respeito ao trabalho e à identidade criativa do estilista, concedendo liberdade para sua atuação e o entendimento do patrimônio imaterial de uma marca do porte da Bottega.

 

Análise de estilo: KATIE HOLMES

14.01.21 | Get Inspired By Moda


 

Desde o começo dos anos 2000 a atriz Katie Holmes chama a atenção (também) pelo seu estilo e mesmo longe de trabalhos grandiosos seu visual ainda é bastante observado. Holmes tem um estilo pessoal muito básico, mas que é enriquecido por detalhes como acessórios robustos, design diferenciado – pense em calças jeans mais amplas, por exemplo – e toques de sensualidade que imprimem personalidade ao resultado final. Blusas sem alça, pele estrategicamente à mostra e os cabelos sempre soltos ou displicentemente presos tornam a figura de Katie cativante e facilmente inspiradora justamente por essa mistura entre o informal, o tradicional e o sensual. Mas muito além de edições simplificadas dos looks que geram familiaridade e aproximam a atriz do público, as escolhas de Katie parecem ter tudo a ver com o momento atual. Com uma fase tão grave e difícil como a que estamos vivendo, pensar no que vamos vestir parece ser uma preocupação distante e supérflua, mas a atriz mostra que não precisa ser assim. Suas escolhas casuais e recentes indicam que o conforto é imprescindível, mas as nuances de elegância, contemporaneidade e engajamento (vide a camiseta “vote now” que Holmes usa em um de seus looks) é que dão o tom do visual da atualidade – sem espaço para movimentos passageiros e afetações e que ainda estão ligados em alguns pontos com aquelas escolhas do home office. Moletons combinados com blazers, tênis e flats finalizando looks compostos de peças clássicas, como os jeans de corte reto e trench coats, cartela de cores mais iluminada, porém tradicional e que sugerem um certo aconchego, modelagens desprendidas equilibradas com outras mais ajustadas etc. São, em suma, looks que indicam conforto e liberdade de movimentos, mas que também prezam por detalhes ricos e que manifestam informação de moda. Mais real e atual, impossível.